January 2012
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Caio F. (Ciclo Seco, Pequenas Epifanias)
Todo mundo conhece ciclo seco, a maioria até já passou por ele. Alguns mesmo vivem desde sempre dentro dele, achando que isso é vida e eternizando o que, por ser ciclo, deveria também ser transitório. É preciso acreditar que passa, embora quando dentro dele seja difícil e quase impossível acreditar não só nisso, mas em qualquer outra coisa. Não que ciclo seco não tenha fé, o que acontece é que não...
Sobre todos aqueles que ainda continuam tentando,...
December 2011
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Para terminar bem o ano com boas lembanças de amigos e familiares neste momento de celebração de 2009 registrado e editado por Jade Stickel, ao som de Motriz, minha canção predileta!
O Acontecer das Coisas - Livro de Contos
Não sabemos nunca se a gente volta a ser a mesma pessoa depois de uma grande pancada da vida. Esses abismos que se abrem à nossa frente e nos empurram para dentro deles sem que haja escolhas, muito menos salvação, são mistérios insondáveis.
De repente a luz se apaga. Fica tudo escuro. Quase cegos, vamos …tateando a vida para compreender o que nos aconteceu ou encontrar no coração, na alma...
Por que amo a Literatura...
Hoje, se me perguntam por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas...
Mestre, meu mestre querido!
Mestre, meu mestre querido! (…) A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou, Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente, Natural como um dia mostrando tudo, Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade. … Meu coração não aprendeu nada. Meu coração não é nada, Meu coração está perdido.(…)
Álvaro de Campos
November 2011
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Poesia e sensibilidade desenham com delicadeza "O...
Não há nada tão triste quando descobrimos que nossa identidade está posta em xeque, colocada a uma espécie de provação abismal.
Quando duvidamos de nós mesmos e percebemos que os traços desenhados até então, ainda não se definiram, mas apenas rascunharam com várias rasuras nosso destino pessoal ou o que desejamos dele, o escuro se instala.
Por vezes, fica difícil a decifração, anos de busca,...
Para Elias Andreato
Apesar de estar em novembro, uma noite fria caiu inesperadamente.
Ar seco rasgava levemente a face.
Carreguei meu coração ferido nas mãos.
Expectativa fundia-se com alegria quando chego a porta da Galeria Olido no centro de São Paulo para retirar meu convite e assistir Doido, o monólogo de um dos amigos mais importantes que nesses acasos inesperados, a vida nos surpreende com bons...
October 2011
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A Voz , ao som de “O ciume”, composição de...
Sentimentos negros também deságuam rios afora.
Escorre dos olhos, derramando coração e alma, juntando aos pés, a poça rasa e pegajosa de lama: poeira e lagrimas antigas.
Do sono escuro e cinzento despertou a noite vazia, perigosa e peregrina.
Acordou em si o céu tenebroso sem estrelas, sem lua, tempo ruim, sem Oyá, sem nenhum deus para pedir socorro.
No retrato de cacos de espelho, a imagem...
September 2011
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Do livro "Limite Branco"...
“Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o...
Meu tempo ainda nao chegou, pertenco ao futuro das...
Saudade do Tejo, leio Caeiro!
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. O Tejo tem grandes navios E navega nele ainda, Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, A memória das naus. O Tejo desce de Espanha E o Tejo entra no mar em Portugal. Toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual...
August 2011
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palavreando... →
July 2011
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Pessoa para pessoas desassossegadas como eu!
“Não sei sentir,não sei ser humano,
não sei conviver de dentro da alma triste,com os homens,meus irmãos na terra.
Não sei ser útil,mesmo sentindo ser prático,quotidiano,nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco,não sei qual,e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções,todos os pensamentos,todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse...
(...)"Em última análise, precisamos amar para não...
Para sempre, Amy! →
Meu vôo...
Eu nunca mergulhei no mar.
Nunca atirei meu corpo do alto dos penhascos para afundar nas águas de um rio.
Tenho medo de altura e jamais desceria a ladeira de uma montanha russa veloz.
Nunca pulei de pára-quedas e por isso, alguns dizem que sou covarde.
Logo penso que desde menino, sem nenhuma instrução,
Sempre me arrisquei mais do que deveria:
Nunca me afoguei em águas turvas nem quebrei-me ao...
Máxima na interpretação de "O Ciúme" de Maria... →
Quero ser Tambor! Poesia de José Craveirinha
Tambor está velho de gritar Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor corpo e alma só tambor só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero Nem rio correndo para o mar do desespero Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra Só tambor...
Um trecho de "Naufrágios"
(…) Continuo gostando dos livros de minha infância. Gostaria tanto de saber o que foi este período de minha vida, não sei nada. Quando olho fotos antigas, não são minhas. Não me reconheço.
Se relato experiências dessa época, estou contando histórias que não me pertencem. Todo o meu passado não me pertence. Só sei contar, mas não o sinto. Um vaso oco. Hoje sei que vivi o passado, mas não sei...
Hoje aprendi com Elias o que significa a...
Murilo Mendes - Reflexão n°.1
Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio Nem ama duas vezes a mesma mulher. Deus de onde tudo deriva E a circulação e o movimento infinito. Ainda não estamos habituados com o mundo Nascer é muito comprido.
José Régio, "Cântico Negro"
“Vem por aqui” - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: “vem por aqui!” Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali… A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade...
June 2011
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Retrato - Cecilia Meireles
“Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face? ”
“O tempo como reflexão na poesia Retrato de...
O poeta escreve para além do silêncio do papel. Sua busca é evocar a voz para tornar possível, o impossível.
A poesia coloca-nos a palavra como escritura, imagem de sensações, observações e sentimentos do homem e do mundo na tentativa de nos salvar, de nos dizer algo para o encontro de ser.
Poesia é por excelência um convite ao infinito universo das experimentações, da fusão, da transcendência e a...
A literatura melhora as pessoas?
Pode melhorar, sim. Pode desviar do vício, da loucura. Pode estancar a loucura através do sonho. Eu tenho um impulso, que talvez seja um umpulso cristão pelo próximo. Eu tenho vontade de servir ao próximo, verdadeiramente. E a literatura me proporciona isso.E o que eu faço, acredito, com o máximo de competência que me é possível e com amor, com paixão, acaba chegando, de algum modo, no outro.
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A arte inventa a vida.(...) A arte só existe...
Narciso e Narciso (Ferreira Gullar)
Se Narciso se encontra com Narciso e um deles finge que ao outro admira (para sentir-se admirado), o outro pela mesma razão finge também e ambos acreditam na mentira. Para Narciso o olhar do outro, a voz do outro, o corpo é sempre o espelho em que ele a própria imagem mira. E se o outro é como ele outro Narciso, é espelho contra espelho: o olhar que mira reflete o que o admira num jogo...