Thu
Jul
7
Um trecho de “Naufrágios”
(…) Continuo gostando dos livros de minha infância. Gostaria tanto de saber o que foi este período de minha vida, não sei nada. Quando olho fotos antigas, não são minhas. Não me reconheço.
Se relato experiências dessa época, estou contando histórias que não me pertencem. Todo o meu passado não me pertence. Só sei contar, mas não o sinto. Um vaso oco. Hoje sei que vivi o passado, mas não sei o que ele foi realmente.
Olho-me no espelho e não me vejo. (…)
Trecho do conto “Naufrágios” de Giselda Leirner, do Livro “Naufrágios” Editora 34, 2011.