Meu vôo…
Eu nunca mergulhei no mar.
Nunca atirei meu corpo do alto dos penhascos para afundar nas águas de um rio.
Tenho medo de altura e jamais desceria a ladeira de uma montanha russa veloz.
Nunca pulei de pára-quedas e por isso, alguns dizem que sou covarde.
Logo penso que desde menino, sem nenhuma instrução,
Sempre me arrisquei mais do que deveria:
Nunca me afoguei em águas turvas nem quebrei-me ao chão.
Acho que é como se fosse uma espécie de milagre, não sei.
Porque nessas horas nascem asas de anjo-homem ou de pássaro sobre as minhas costas e eu vôo, destemido! Sempre cada vez mais alto e nada, nada mesmo me assusta!
Sigo adiante.
André Mantovanni